Pensando um Brasil …


Dia 13 de Maio.

Zumbi dos palmares

Segundo o calendário brasileiro, comemora-se hoje a abolição da escravidão. Fato que algumas pessoas acreditam ter sido ação de bondade, outras consideram ato político de fuga à uma situação tumultuada; e existem ainda as que acreditam em um ato brando de socialismo. Bem, não cabe aqui discutir qual foi o real motivo da abolição e nem quais as circunstâncias levaram a tal, mas sim, fazer uma pergunta: Será que o negro Brasileiro realmente livre? Terá ele realmente o que comemorar?

O que observo nas ruas, empresas, condomínios e lugares por onde vou, é que o negro continua sendo usado como mão de obra barata, ocupando os piores empregos no escalão social. De uma forma mais grosseira, grande parte dos negros que não estão nos sub-empregos, estão marginalizados, parados à margem de uma sociedade na qual não conseguem se inserir.

Temos que pensar bastante antes de colocar uma camisa, uma bandeira, uma faixa e sair pelas ruas comemorando o fim da escravidão. Porque o negro brasileiro em sua maioria, talvez não seja realmente livre, pois a escravidão no Brasil além de física, foi mental. E isto faz com que o negro seja socialmente pressionado por uma cultura de inferioridade, imposta desde muito tempo, que desvaloriza suas raízes e reprova sua identidade. O negro no Brasil deve refletir sobre o cidadão que ele se forma diante deste novo cenário, Pós-Escravidão, que ainda o exclui e marginaliza.

A liberdade do negro vai muito além de uma Lei, tratado ou acordo. Ela está ligada à construção simbólica de sua imagem na sociedade, das bagagens culturais que ele traz consigo, de suas experiências de vida, no que ele acredita ser, naquilo que ele se retrata; Está no seu comportamento diante de tudo e todas situações que lhe aparecem. Por isso todo dia é 13 de maio, pelo menos para aqueles que já se libertaram da prisão sem muros.

João Marcos